No início desta semana, o dólar perdeu força em um contexto de tensões geopolíticas, preços de petróleo nas alturas e decisões de bancos centrais à vista. Com negociações estagnadas entre os Estados Unidos e o Irã e o Estreito de Ormuz operando sob restrições, a moeda norte-americana fechou cotada a R$ 4,9821, uma desvalorização de 0,32%. No pior momento do dia, a cotação chegou a R$ 4,9642, totalizando uma queda de 0,68%.
O enfraquecimento do dólar trouxe alívio a alguns setores, destacando a revisão para baixo das projeções de câmbio do Banco Inter, que alterou suas estimativas para 2026 de R$ 5,40 para R$ 5,10. Essa mudança reflete um fortalecimento do real em meio à melhoria nos termos de troca da balança comercial brasileira.
Enquanto o dólar se desvaloriza, as pressões inflacionárias estão em ascensão. O Banco Inter revisou suas previsões de inflação, elevando a projeção do IPCA de 4,3% para 4,9% em 2026. O aumento dos preços do petróleo, que subiu mais de 50%, gerou um choque de oferta que intensifica a inflação. Em março, a inflação também surpreendeu ao registrar alta de 0,88%, e a expectativa para abril é de que essa taxa se aproxime de 1%.
Os efeitos da inflação podem restringir o espaço para cortes nas taxas de juros, uma vez que uma recuperação dos preços do petróleo pode criar uma pressão adicional nos custos ao longo do ano.
A semana é marcada por decisões cruciais de política monetária tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos. No Brasil, o Banco Central deve anunciar um novo corte na Selic, reduzindo-a para 14,50%. Embora a inflação esteja alta, as análises indicam que o ritmo de corte seguirá gradual, com projeção de um fechamento em 2026 em 12,75%.
Nos Estados Unidos, a expectativa é de que o Federal Reserve mantenha as taxas na faixa entre 3,50% e 3,75%. O mercado acredita que a pausa na elevação dos juros perdurará pelo menos até junho, mas há espaço para possíveis cortes no segundo semestre.
O Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve crescer 1,8% em 2026, com um impulso notável do agronegócio e da indústria extrativa. Contudo, a expectativa é de desaceleração no consumo das famílias, afetado por condições de crédito mais restritivas. Por outro lado, a balança comercial deve se robustecer, com previsão de um superávit superior a US$ 80 bilhões, impulsionado por exportações de soja e petróleo.
O cenário fiscal apresenta riscos significativos. O Banco Inter ressalta a preocupação com a possibilidade de novos estímulos ao consumo em um ano eleitoral. Se novos subsídios e linhas de crédito forem introduzidos, isso pode aquecer ainda mais a demanda e, consequentemente, gerar mais inflação em diversos setores.
As contas públicas devem registrar um déficit primário de 0,7% do PIB em 2026, enquanto o déficit nominal pode atingir 9%. A previsão é que a dívida bruta chegue a 83% do PIB, um aumento alarmante de 10 pontos percentuais em apenas quatro anos.
Apesar de uma economia norte-americana, em geral, resiliente, as pressões inflacionárias começam a se mostrar mais amplamente. Em março, o índice de preços ao consumidor subiu 0,9% devido ao aumento dos combustíveis, e a situação pode piorar com a continuidade do conflito no Oriente Médio, que pressiona ainda mais os preços.
As estimativas para o crescimento do PIB nos EUA para o primeiro trimestre já foram revistas de 3,1% para 1,2%. Apesar disso, os dados ainda indicam uma economia robusta, com desempenho desigual entre grandes empresas e pequenos negócios.
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