Nesta quinta-feira, a Argentina viveu uma greve geral histórica, com adesão estimada em 90% de acordo com a CGT. Esse movimento foi impulsionado pela proposta polêmica de reforma trabalhista do presidente Javier Milei, que inclui alterações drásticas, como a redução de indenizações e extensão da jornada de trabalho para 12 horas. O impacto foi uma paralisia significativa em diversos setores, desde o transporte público até o comércio, trazendo à tona uma crise econômica que promete abalar ainda mais o país.
O setor de aviação foi um dos mais atingidos. De acordo com a Aerolíneas Argentinas, essa greve resultou no cancelamento de 255 voos, afetando mais de 31 mil passageiros. No Brasil, a situação não foi melhor: ao menos 62 voos foram suspensos, especialmente nos aeroportos de Galeão e Guarulhos. Este cenário revela não apenas um problema de mobilização, mas uma crise que poderá afetar diretamente a economia regional, com perdas estimadas em US$ 3 milhões devido a esse impasse.
Os protestos não foram apenas pacíficos. Focados em pontos estratégicos como o Congresso Nacional, os manifestantes se enfrentaram com a polícia, que respondeu com canhões de água e gás lacrimogêneo. A tumultuada manifestação marcou um dia de tensão, com confrontos surgindo em meio a um grande número de pessoas que buscavam se fazer ouvir contra as reformas. Este tipo de violência pode desencadear um clima de instabilidade, adicionando ainda mais incerteza à já frágil situação econômica da Argentina.
Em meio à greve, o governo minimizou o impacto das manifestações e lançou acusações contra os líderes sindicais. Segundo Manuel Adorni, Chefe de Gabinete, a greve é uma "extorsão" e uma afronta à liberdade de trabalho. Contudo, essa retórica pode não desanuviar a tensão social; ao contrário, pode intensificar o descontentamento popular.
Caso a reforma seja aprovada na Câmara dos Deputados e posteriormente no Senado, ela poderá retirar cerca de US$ 6 bilhões anuais dos salários dos trabalhadores, o que acende um alerta vermelho entre sindicatos e organizações de classe. A decisão sobre essa reforma não é apenas uma questão legislativa; é um divisor de águas que pode aprofundar ainda mais a crise de empregos na Argentina, que já perdeu cerca de 300 mil postos desde a chegada de Milei ao poder.
Curiosamente, enquanto a greve eclodia, o presidente Javier Milei estava fora do país, participando de um conselho em Washington. Essa ausência em um momento tão delicado levanta questões sobre a liderança e a responsabilidade em tempos de crise. A pressão da comunidade internacional, especialmente do FMI, que apoiou sua reforma trabalhista mas pediu a mitigação de custos de transição, adiciona uma nova camada de complexidade à já turbulenta situação.
Com a situação da Argentina em um ponto crítico, a greve geral não é apenas um reflexo do descontentamento social, mas um sinal claro de que a economia do país pode enfrentar desafios ainda maiores. As repercussões dessa crise podem se estender não apenas pelo território argentino, mas também por toda a América Latina.
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