A pergunta que paira no ar é: quanto tempo mais a guerra no Oriente Médio vai persistir? Embora a incerteza persista, a análise do Itaú BBA revela que o Brasil pode ter estratégias para mitigar os impactos nocivos desse conflito sobre combustíveis, inflação e câmbio.
Durante uma coletiva de imprensa, Pedro Schneider, economista do Itaú BBA, indicou que o conflito pode se estender até abril. Essa previsão considera dois possíveis desfechos:
A entrada dos EUA no Irã: Se os Estados Unidos conseguirem controlar o Estreito de Ormuz, uma artéria vital para o abastecimento mundial de petróleo, os preços podem estabilizar.
Se a situação continuar sem uma solução definitiva, os preços do petróleo poderão subir além dos US$ 100 por barril.
Recentemente, a cotação do petróleo chegou a US$ 119, impulsionada por ataques do Irã a instalações no Kuwait, Arábia Saudita e Catar. Esses movimentos não apenas geram preocupação global, como também colocam o Brasil em uma posição delicada.
Atualmente, apesar de uma leve correção para US$ 110 o barril, esse valor ainda acende o sinal de alerta para inflação no mundo todo. No entanto, a expectativa do Itaú BBA é que o impacto no Brasil permaneça controlado, desde que a guerra não se estenda.
Na mesma coletiva, Schneider enfatizou que o governo está adotando medidas para suavizar os efeitos do aumento nos combustíveis. A recente retirada de impostos federais sobre o diesel e a taxa de importação foi equilibrada por um reajuste da Petrobras, resultando em um impacto praticamente nulo sobre o IPCA.
A gasolina poderá ser acomodada pela Petrobras por algum tempo, mas o diesel é uma preocupação maior. Este combustível tem impacto direto nos custos de transporte, o que pode acelerar a inflação. A possibilidade de uma greve de caminhoneiros só aumenta a atenção em relação ao tema.
Apesar da tensão, a ameaça de altas significativas nos fertilizantes, que afetariam a alimentação, deve ser minimizada. A safra atual já foi fertilizada, mas um prolongamento da guerra poderá resultar em dificuldades futuras.
O Itaú BBA acredita que o Brasil está, surpreendentemente, bem posicionado em relação a esse cenário de guerra. Mesmo com a guerra em andamento, o câmbio se manteve estável, com o dólar entre R$ 5,20 e R$ 5,30, sem valorização significativa frente ao real.
Com o conflito sob controle, a inflação brasileira poderá se estabelecer em 3,8%. Uma expectativa otimista, mas que depende de fatores políticos e econômicos internacionais.
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