O clima no setor elétrico brasileiro em 2026 está pegando fogo. O renomado banco JP Morgan acaba de revisar para baixo suas projeções de valorização das ações de gigantes como Axia (AXIA3), Copel (CPLE6) e Auren (AURE3). Surpreendentemente, a Engie Brasil (EGIE3) é a única que se manteve inalterada, despertando a atenção do mercado.
O grande vilão dessa história foi o desempenho desanimador da geração de energia no último trimestre de 2025. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) revelou que a geração potencial sofreu cortes de cerca de 22%. Esse fenômeno, conhecido como curtailment, é o resultado de um cenário de superoferta, onde a demanda não consegue acompanhar a produção.
Nos últimos anos, a rápida expansão dos parques solares e eólicos trouxe uma quantidade significativa de geração de energia, mas em horários muito específicos. A infraestrutura de transmissão simplesmente não acompanhou essa aceleração, resultando em uma quantidade considerável de energia não escoada. O ONS, então, teve que intervir, reduzindo a produção e pressionando os preços para baixo.
Empresas como Axia e Copel, que apresentam menor exposição a fontes renováveis, também sentiram o impacto imediato. O resultado? Os preços de venda da energia ficaram aquém do esperado, reforçando a pressão sobre essas companhias.
Os analistas do JP Morgan, liderados por Arthur Pereira, comunicaram: "Ajustamos as estimativas e os preços-alvo para refletir a precificação de energia e a geração do último trimestre." A nova perspectiva pode ter custos altos para investidores que buscam uma recuperação imediata.
Apesar do cenário desafiador, há um consenso de que os preços da energia devem subir nos próximos anos. A introdução do novo modelo de formação de preços pelo ONS, o Newave, com uma abordagem mais conservadora e sensível às condições climáticas, deverá contribuir para essa alta. O JP Morgan projeta um aumento de 18% até 2026, o que, a médio prazo, poderia beneficiar Axia e Copel.
Axia: Preço-alvo diminuído de R$ 67 para R$ 55, mas com recomendação de compra.
Copel: Pequena correção de R$ 14,6 para R$ 14,5, mantendo a recomendação de compra.
Auren: Preço-alvo recuou de R$ 13,6 para R$ 12,4, com recomendação neutra.
Engie Brasil: Preço-alvo mantido em R$ 28, marcando uma recomendação de venda.
Além das novas projeções numéricas, o JP Morgan também mencionou mudanças relevantes na gestão das empresas. A Axia realizará uma capitalização de R$ 30 bilhões através da emissão de novas ações resgatáveis, enquanto a Copel está se preparando para uma migração para o Novo Mercado acompanhada do pagamento de R$ 1,4 bilhão em dividendos.
A situação da Auren, por outro lado, é mais delicada: ela entra em 2026 com uma posição vendida em energia, o que pode forçá-la a adquirir eletricidade no mercado para cumprir seus contratos, colocando suas margens sob pressão intensa.
A Engie Brasil, por sua vez, parece não ter mudanças significativas, já que o pessimismo do JP Morgan já estava refletido em suas projeções anteriores.
O impacto das revisões feitas pelo JP Morgan será sentido por acionistas e investidores no curto prazo. As consequências de um mercado de energia em desequilíbrio e a capacidade das empresas de se ajustarem a esse novo cenário determinarão os próximos passos do setor.
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