O mercado de criptomoedas está prestes a enfrentar uma transformação significativa com a tramitação do Projeto de Lei 7224/2025, que visa regulamentar a sucessão de criptoativos no Brasil. O relator, Kim Kataguiri, apresentou um parecer favorável à proposta na Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, criando expectativa entre investidores e herdeiros.
O projeto introduz um modelo gratuito de testamento digital, permitindo que indivíduos incluam suas criptomoedas nas heranças. Essa mudança é crucial, considerando que bilhões de reais estão presos em corretoras devido à falta de planejamento sucessório. Agora, os herdeiros poderão acessar esses ativos após a perda do titular.
O uso da tecnologia blockchain é um dos pilares do projeto. Essa abordagem garante que as vontades finais dos usuários estejam registradas com segurança, utilizando criptografia para proteger os dados por até 30 anos. Com isso, os detentores de criptoativos poderão passar informações sobre senhas e chaves privadas para seus herdeiros, resolvendo um dos maiores entraves da sucessão digital.
Com a proposta, a transição de patrimônio digital se torna mais acessível e segura, evitando que a dor da perda seja agravada pela complexidade de acessar ativos digitais. O novo sistema permitirá a indicação também de contas de redes sociais e doações de órgãos, diversificando ainda mais a implementação desse novo legado digital.
Kim Kataguiri destacou a crescente importância dos ativos digitais, com a Receita Federal reportando transações que ultrapassam R$ 505 bilhões apenas em 2025. Isso evidencia a necessidade urgente de legislações claras que previnam bloqueios de contas, o que muitas vezes impede que os familiares em luto tenham acesso aos recursos que lhes pertencem.
Atualmente, herdeiros de criptoativos encontram dificuldades imensas para acessar os fundos de parentes falecidos, especialmente na ausência de instruções claras sobre como proceder. O novo projeto visa introduzir a figura do administrador de bens digitais, que terá autoridade para resolver disputas de acesso a esses fundos.
Os altos custos dos procedimentos tradicionais de sucessão são um impedimento significativo: valores variam entre R$ 500,00 e R$ 2 mil, o que desestimula a maioria da população a planejar adequadamente suas heranças. Aproximadamente 95% dos brasileiros não estão preparados para transferir seus ativos digitais.
Com o uso da blockchain, espera-se que os custos judiciais com disputas descendam, tornando o processo de sucessão mais ágil e econômico. A implementação do sistema deve custar ao Poder Judiciário cerca de R$ 20 milhões, mas será sem taxas diretas para a população.
A aprovação do Projeto de Lei 7224/2025 poderá mudar radicalmente o cenário das heranças digitais no Brasil. É um passo importante para garantir que os bens digitais das pessoas sejam repassados de forma estruturada e transparente, mitigando perdas e conflitos familiares.
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