A privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) reverbera no cenário econômico paulista. O ex-ministro da Fazenda e pré-candidato ao governo de São Paulo, Fernando Haddad, anunciou que examinará os efeitos desse processo em sua campanha. Essa reflexão surge em meio a significativas dúvidas e insatisfações da população.
Concluída em julho de 2024, a privatização gerou R$ 14,8 bilhões para o governo. No entanto, dois anos após a venda, o aumento alarmante das reclamações contra a companhia preocupa cidadãos e investidores. Os dados da Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp) indicam que as queixas dispararam de 3,7 mil em 2023 para cerca de 10 mil em 2024 — um aumento estonteante de 162%. As principais reclamações? Problemas nas contas e falta de água.
O discurso de Haddad enfatiza a insatisfação com a qualidade dos serviços prestados pela Sabesp. O aumento na conta de água, acima da inflação, opõe-se diretamente à promessa de redução feita durante a privatização. O debate se torna inevitável: o que aconteceu com a qualidade após a mudança na gestão?
A administração da Sabesp já sinalizou investimentos para enfrentar esses desafios. A empresa deve intensificar esforços para universalizar o saneamento, buscando recuperar a confiança do público.
Atualmente, 18% das ações da Sabesp estão nas mãos do governo, enquanto a Equatorial Energia possui 15%. Com quase 63% de valorização em um ano, as ações demonstram um mercado otimista apesar das controvérsias.
No quarto trimestre de 2024, a receita alcançou R$ 5,68 bilhões, com um total anual de R$ 22,21 bilhões, representando uma elevação de 2,2%. O lucro teve um aumento expressivo de 22,1%, totalizando R$ 6,32 bilhões. Esses números, porém, não têm diminuído a pressão sobre a empresa, que enfrenta um crescente número de queixas.
A Sabesp anunciou investimentos recordes em 2026, com um Capex projetado em R$ 15 bilhões. Essa quantia é um salto em relação aos R$ 6,9 bilhões investidos em 2024, e uma mudança drástica em relação ao histórico médio de R$ 3 bilhões a R$ 4 bilhões anuais antes da privatização.
Esses investimentos visam conectar 2.400 domicílios diariamente ao serviço de saneamento, uma prioridade definida pela companhia.
A falta de recursos recebidos no leilão levanta questões sobre a viabilidade a longo prazo da Sabesp. A companhia planeja captar entre R$ 40 bilhões e R$ 50 bilhões por meio de dívidas. Em um cenário econômico desafiador, a Sabesp já conseguiu angariar R$ 19 bilhões até 2025, marcando seu retorno ao mercado internacional após 12 anos.
Além de buscar capital no mercado financeiro, a empresa está reestabelecendo relações com organismos multilaterais, como o Banco Mundial. Isso é crucial para diversificar as fontes de financiamento e garantir a expansão dos serviços, essencial para atender à crescente demanda.
A trajetória da Sabesp, entre lucros crescentes e uma insatisfação popular crescente, exige uma discussão franca sobre a qualidade dos serviços e a responsabilidade social. O debate sobre a privatização e sua eficiência continua sendo relevante e necessita da atenção dos cidadãos e gestores.
Quer organizar sua vida financeira em meio a tudo isso? Conheça o Mentfy e assuma o controle: experimente o Mentfy.
Aproveite para compartilhar clicando no botão acima!
Visite nosso site e veja todos os outros artigos disponíveis!